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Vácuo

Gotas caem de um céu que pediu para não amar tanto
Um passo dado na cegueira do egoísmo
E tudo se esvai, como noite que insiste em povoar os corações...

Olhares perdidos
Corações estagnados
Silêncio de estrelas...

Vejo a palavra
Vagando
Dentro do todo
Vazio
.
.
.

Ri.tual da face (ou fase) contida

.
Das noites sem fim, tiro meu grito de imensidão... Sou como o sereno que cai, para tirar da mansidão, a flor que sonha em ver a vida adormecida... É como se nada tivesse fim, ou se nada tivesse realmente começado... Um sussurro, e cá estou... Livre? Não era hora de mudar de cor... Já sou silêncio, já sou dor...

Deambulo, busco notas, preciso do ar das marés... Já não tenho mais o arfar do peito em noite de sabores... Quisera eu, um dia, reviver tuas ímpias risadas dentro de mim... Sou como a página que insiste em ser o dia, é monotonia, bem sei... A paz é vazia, quando a saudade reina...

Ruas sem melodias, estradas repletas de vazio... A noite vira um imenso desejar, como se algo pudesse, de fato, mudar... Não sou mais a fortaleza que um dia sonhou com a luz, como se tudo fosse um simples desejar da uma alma só... Sou refém do teu fechar de olhos... Silencio, mas é apenas para tentar, e ansiar, a tua volta...

Devo ser como a Lua, solitária... Buscando um Sol que não mais quer fazer da noite um refletir... Já trilho a busca do adormecer, porque é tua vontade, é assim que te sinto a cada ruidoso calar das tuas mãos, das tuas melodias e do pulsar ritmado do teu coração, agora tão distante de mim...

Tantos sons à minha volta, e só uma palavra a tocar meu ser: Amor... Devo fechar os olhos... É o que me resta, nessa estrada de pegadas tão minhas, tão vazias... Dar voltas e mais voltas... E voltar... A mim? Não... A ti, meu Amor, meu intenso Amor, meu eterno Amor...

Mudos mundos

Quero letras mudas
Pra dizer que te amo
Só assim seria capaz de estar aí...

Só assim faria da noite uma criança
E dormiria nos teus braços
Como quem suspira uma canção...

Só assim seria tua
Lugar último
Princípio do eterno...

Mas um grito me percorre
São meus olhos
Que insistem em lacrimar...

Saudade? É fato, estou muda
E o silêncio (o meu e o teu)
É agora sufocante...

Sobre o que (ainda) não te disse.

Quando a voz cala, o silêncio convence.
E se me calo é porque assim me escutas melhor.
Só o ‘tum-tum’ do meu coração.
E na virada de mais um dia, adio. Adiós? Adeus? Por Deus...
(Faltaste-me tu, para correr pelas Luas que não eram minhas).

Sobre a falta que tu me fazes

Sonho
Com
O
Dia
Em
Que
Não
Serei
Mais
Noite
Dentro de mim...

Cortina de aço

Hoje me faço casulo, porque é tempo de pensamento.
Hoje me faço olhos, porque é tempo de silêncio.
Hoje percorro minhas linhas, só as minhas...

Sou o que quero ser, sou o que posso ser.
Sou o que me deixas ser...

E que Deus olhe por nós!
Pobres, fracos e tolos...
Somos sementes, antes de tudo...

“Tenho andado tão só que quem me olha nem me vê...”

Dando passos

Assistir à dança tornou-se algo impossível. A dor era tamanha, que de seus olhos, rios se faziam. Uma mácula criada, uma grande e permanente mancha no que antes era um amor imenso. Ambos sabiam que não haveria um retorno, algo se quebrara. As pétalas estavam espalhadas para sempre e o universo teria que se habituar a novos eixos.

Remate

Das trilhas já não vejo a cor
E a suave cadência de meu corpo
Perdeu-se dos olhares de uma noite inteira
Dói-me na alma o trepidar dos corpos ao longe
Sangro em agonia por me saber inerte
Por ver, por ouvir, por sentir
É o canto da despedida
Que soa próximo
Que se faz iminente
Que dilacera a alma
Que leva a volúpia de um grande amor
Que finda, que finda, que finda...

Orion

Que chova
Mas que chova suave
Uma carícia do céu
No corpo castigado
Pela mão pesada do homem

Que faça frio
Mas frio capaz de aproximar
Nas noites em que tudo que se quer
É afago e atenção

Que seja a vontade de cada um
Mas que isso não traga lágrimas
Quando tudo o que se quer
É amor...


*Orion é o nome de uma constelação.
Duas das características das estrelas são a distância e a frieza.
Às vezes as pessoas são estrelas...

De quando em quando



E quando o silêncio dá a mão para a escuridão
Quando tudo parece perdido
Quando as nuvens não são de algodão
Quando escorre pelo peito o gosto amargo das palavras
... Muda.

O que sinto hoje



Não julgar é essencial
Compreender é o verbo
Amar é o termo
Incondicional é o limite
Escolha dos passos é liberdade
Que seja!
Nem o meu
Nem o seu
Nem o céu

Quando tudo é saudade



Quando alguma coisa me sufoca
E já não sei onde buscar o ar
Quando algo me prende ao desespero
E penso que nada mais pode ser tão doído
Quando as estrelas parecem muito distantes
E já não sei onde procurar um sinal de esperança
Quando meu coração fica pequeno
E sinto o frio a me espreitar
Quando os dias ficam iguais
E perco a noção do tempo a passar
Tudo em mim é saudade
Tudo em mim é espera
Tudo em mim vontade de te amar...

Retrocesso

Hoje derramo minhas últimas lágrimas
Hoje constato pela última vez
Que sonhos são apenas sonhos
E que palavras nem sempre traduzem amor
Hoje declaro que, mais do que nunca
Gravei na alma o que é a dor do abandono
Hoje finalizo um passo
Hoje volto pra casa
Hoje fecho as janelas
E que reine o silêncio...

Báratro

Sem pressa
A noite passará
Pela janela
E eu passarei
Mais uma noite
Repleta de saudade...

Nuvens

"Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças, andando em bravo mar, perdido o lenho..."
.
Eu não sei de mais nada
E já nem acho isso ruim
Tem dias que é assim
A gente acorda e se pergunta
Por que?
Talvez seja por saber que só eu posso me ler
Talvez seja por constatar que sou melhor em acalmar vozes alheias
Às vezes tenho vontade de me rebelar
Mesmo que sem saber contra o que
Mas sei que serei meu maior algoz
Não gosto quando chegam essas nuvenzinhas
Não gosto quando a fraqueza se mostra pra mim
Mas também não gosto quando quero ficar assim encolhidinha
E um som dentro de mim começa a me sacudir
Até o céu tem suas nuvens
Quero ser dia nublado, nem que seja só pelo tempo de um suspiro.
.
“Orai e vigiai”.

Imaginação

Ando cansada de morrer todo dia
Desperdiçar os sorrisos
E acumular as lágrimas
Esperar o futuro que desconheço
Em segredo tão doído

Céu e inferno num piscar de olhos
Que me fazem acreditar que algo está errado
Quem sabe transformado para sempre
De forma irremediável
Pelo menos para meu coração

Mãos vazias, corpo inerte
Coração sangrando no peito
Castigada pela ausência de mim mesma
Não reconhecendo nem sequer
O reflexo que insiste em se formar

Observo as cicatrizes
Pondero meus próprios erros
Junto os elos
Afogo os batimentos
Peso amor e dor

Já não sei em qual esquina vou me encontrar
E mesmo nem sei se quero
Quem sabe mais fácil mudar o rumo
Passar uma borracha, ou pelo menos fingir
Que tudo não passou de imaginação...

Serei ausência

Se é na minha ausência
Que pedirás minha presença
Serei o maior silêncio
O maior vácuo
O maior breu
A maior inércia

Calarei meus gemidos
Engolirei minhas lágrimas
Sufocarei minhas palavras
Serei completa inexistência

Até que percebas
O quão sofri por amar-te
E supliques o meu retorno
Para amar-me e não ferir-me

Devaneios de saudade

Pranto no silêncio escuro do meu quarto
Flores abertas na cegueira dos meus olhos
E o despertar de mágoas infinitas e dolorosas
Depositadas no coração
Imponderável luz que com chuva acende
E na multidão de todas as palavras, tu ausente

Vôo aos céus para perto de ti estar
Suplico à Lua para te encontrar
Um afago em tua alma depositar
Para que comigo passes a voar
Num encontro só possível no espaço que nos tem

Olhos não se curvam na mansão vazia
Na certeza inconstante
O relógio é vazio como as horas vazias
Sem resistir, sem jardim armado
Sem o azul que me tem

Pequenas casas cinza a murmurar inconstâncias.
Eu sou um pedaço do que não fui
E metade da lua, água, luz, doçura, palidez e morte
Meu corpo se curva como a dor do arco
Que empunha a flecha e mata!

Sou como uma deusa dormente
Que acorda todos os dias com o eco deste mundo vil
Mergulho no meu silêncio buscando teus sons
É derradeira minha queda
Minha janela está vazia, só em ti deposito minhas vontades
Quero um bálsamo a dizimar a minha dor

As feridas não adormecem
Desesperadas nesta lentidão da minha memória
Desfaço-me em mais de mil estrelas
Cicatrizes indeléveis de um sem fim de amarguras
Que me colocam a pedir tua voz a me encantar

Que tenhas brandura como luas que se abrem na madrugada
Toda sombra traz na fonte um mar
Decapitado pelas areias que encerram
E beijadas pela luz que envolve

Que seja fonte que sacia
Inebriando meu ser da mais bela euforia
Perdurando como outrora em meu peito
Traduzindo em luz do céu que nos encobre a cada troca

Verte de meu íntimo o mais profundo desejo de te respirar
Sentir na pele o calor que de ti emana
E quebrar meu semblante dolorido
Eis as ervas do dia, olhando páginas, imaginando alusões.
Nada que há de me dar tamanha alegria, quanto ao lograr um beijo teu...

Ausência

Distante com cheiro de indiferente...
Falta de palavras que leva ao precipício
Num fim de noite que tinha jeito de sonho...
Espelhos, reflexos, vazios, frios...
Aperto no peito com jeito de saudade...
Vontade de estar além, acalmar o coração...
Palavras ocultas no vento
Um abraço que não chega...

Queria sonhar, mas já não durmo...
Queria sorrir, mas já não sinto...
Queria amar, mas já não respiro...
Queria tocar, mas já virei distância...
Olhos abertos, olhando versos
Vem, Sol...
.

Adeus!i!

É tarde demais para se desculpar
O relógio não pára
Os atos não voltam
Os passos em falso deixam cicatrizes
E quanto mais as letras gritam
Mais tenho certeza de que não devo olhar pra trás
Seres pequenos são aqueles repletos de egoísmo
Sujos pelo véu das falsas alegrias
Mais preocupados em se satisfazer do que se doar
Ah quão cegos são... Efêmeras sementes brincando de ser árvores!
A arte de amar implica em doação e respeito
Pena que quando descobrem que umbigos servem de sinal de alerta
É tarde demais para apagar certas imperfeições
Mas... A vida segue, a luz ainda existe
E lá na frente alguém deve ser mais sagaz do que o umbigo
Deve saber ser Rei além dos falsos brilhos fugazes
Deve saber honrar palavras e sentimentos
Mostrar a face transparente e colocar em prática o verdadeiro amor
Aquele que seduz e aquece
Que é capaz de estender a mão e sussurrar flores amarelas
Capaz de olhar a lua e sentir que ela merece mais do que momentos
Que precisa de colo e atenção
Que se as lágrimas brotarem
O amor será banido do seu coração frágil e desavisado
Porque o amor não é flor que se regue com lágrimas...
.

La-le-li-lo-Lua!

Catando milho?

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